Colegas e Amig@s
No dia 26/05/09, terça-feira, lideranças dos movimentos sociais em MS levantaram da cama mais cedo como de costume. Antes do raiar do sol caminhavam em direção a sede do CIMI, no centro de Campo Grande-MS com um único proposito: Participar da Caravana da Solidariedade à Comunidade Indígena de Laranjeira Nhanderú, no município de Rio Brilhante.
Lideranças Indigenas, sindicais, sem terras e religiosas se acomodavam na Van e nos dois carros com a esperança de que a justiça concedesse a essa Comunidade o direito de permanecer nas terras vividas pelos seus ancestrais e que os estudos antropológicos desse prosseguimento, uma vez que fazendeiros com o apoio do Governo do Estado (André Puccinelli), prefeitos, vereadores, deputados federais e estaduais vem impedindo sistematicamente tais estudos.
A Caravana da Solidariedade parte de Campo Grande rumo ao município de Rio Brilhante-MS por volta das 6:00 tendo uma pequena pausa na beira da estrada para tomarem um cafezinho. Chegam a Rio Brilhante por volta das 9:00 e imediatamente mantem uma breve reunião com as lideranças da Comunidade e com a Administradora da FUNAI de Dourados. Os Kaiowá Guarani relatam à Caravana as perseguições e humilhações que vem recebendo dos fazendeiros. Lideranças da Caravana da Solidariedade externa o apoio irrestrito à luta pela demarcações das terras e numa atitude corajosa e de apoio decidem que vão para as áreas de conflitos. Fazem uma caminhada(a pé) de aproximadamente de 2 km por uma trilha beirando a BR até chegar na porteira que dava entrada as terras indigenas.
A FUNAI, orgão do governo federal, também está impedida de adentrar as áreas indigenas e naquele momento entregava cestas básicas, na beira da estrada. Os Índios teriam que carregam nas costas por mais de 2 km até chegar na sua aldeia. Já que os indigenas estavam impedido de caçar, pescar e cultivar sua própria alimentação em suas terras. Outra situação humilhante são que as crianças devem, todos os dias, caminharem mais de 2 km para pegarem os ônibus escolares na beira da estrada, já que os fazendeiros impedem a entrada dos coletivos para recolherem as crianças, um claro derespeito ao direito dos menores estudarem.
Lá estavam, os fazendeiros, com seus carrões financiados com o dinheiro público e que há anos vem dando calote aos bancos públicos; a Policia Rodoviaria Federal e a imprensa burguesa, do lado de fora. Do lado de dentro, nas suas terras, os Kaiowà Guaraní. Em fileira chegava a Caravana da Solidariedade com bandeiras e faixas que traduziam o por que estavam lá.
Abraçavamos e estendiamos as mãos aos irmãos indigenas, mesmo sendo divididos pela cerca e portão de entrada. Estavam presentes os anciões, homens, mulheres e crianças com certo temor mas esperançosos pela retomada definitiva de suas terras.
Com olhos e ouvidos atentos, viam e ouviam membros da Caravana da Solidariedade que de cima da carrocheria de um caminhão levavam o apoio, tão necessário, a luta dessa Comunidade.
A última decisão proferida pela justiça federal era que os indigenas deveriam ser despejado até a meia noite do dia 26/05/09. Mas, havia uma esperança, naquele momento a Comunidade Laranjeira Nhanderú e a Caravana da Solidariedade aguardavam ansiosos a ação de agravo que havia sido protocolado no Tribuna Regional Federal, em São Paulo, para que essa Comunidade permanecesse em suas terras até que o laudo conclusivo dos antropólogos da FUNAI fosse apresentado à justiça.
Para garantir a integridade física dessa Comunidade, uma vez que fazendeiros tentavam intimidar membros da Caravana da Solidariedade, falando palavras ofensivas, tirando fotos e filmando os participantes, decidimos partir para a cidade de Rio Brilhante. Com as lideranças, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, assistimos um video que retratava a luta pela retomada das terras indigenas em várias regiões do Estado. Fizemos um excelente debate e foi unanime que a Caravana da Solidaridade cumpriu sua missão.
Neste próximo sábado, 30/05, a partir das 8:30, através do Comitê Popular e Sindical Contra a Crise e o Desemprego teremos manifestação públicaem Solidariedade aos Povos Indigenas dentre outras reivindicações dos vários movimentos sociais.
Em que pese que neste momento ainda não saiu a decisão do juiz do Tribunal da Justiça Federal, que poderá ou não conceder o direito da permanência desse povo nas areas em questão. Temos a convicção que essa luta não termina na Laranjeira Nhanderú, mas que começa um novo tempo de luta pelas demarçações das terras indigenas em MS.
Termino esse breve relato com uma das frases que estava na faixa que levamos:
"Terra é vida, despejo é morte"
Essa luta é de todos nós!
Todo apoio pela demarcações das terras indigenas!
Saudações Socialistas,
Prof. Monje
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