sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Da aldeia para a universidade

Em Mato Grosso do Sul, desde 2005, os indígenas contam com um programa que apóia sua permanência na universidade.

Rede de Saberes é o nome do programa que apóia a vida acadêmica do indígena em três universidades do estado. Com recursos da Fundação Ford ele oferece cursos, estimula a pesquisa científica, promove viagens e encontros entre os acadêmicos, entre outras ações. Tudo para fazer com que o indígena continue na universidade depois de conseguir ingressar através de políticas públicas pouco suficientes para garantir a inclusão do indígena na academia. Após a matrícula eles encontram uma série de obstáculos que dificultam e, por muitas vezes, inviabilizam sua permanência na universidade.

Mato Grosso do Sul é um dos estados com maior população indígena do país e também uma das mais sofridas no que se refere a sobrevivência. A morosidade no processo de demarcação de terras tem desestruturado, há anos, os modos de vida das etnias do estado, em especial os Guarani Kaiowá. Mesmo com os obstáculos os indígenas marcam, atualmente, forte presença nas universidades. Eles são, hoje, entre Guarani, Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Ofayé e Guató, aproximadamente 500 acadêmicos. Todos estão interessados em somar esforços na luta de suas comunidades para viver melhor, mas primeiro precisam vencer suas próprias dificuldades com a formação superior.

As dificuldades financeiras e de adaptação ao novo meio são somadas a distância da família. E logo no primeiro semestre de curso alguns já se veem obrigados a desistir. Aí então, entra em ação o programa Rede de Saberes. Todos os indígenas das universidades Católica Dom Bosco (UCDB), Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Federal da Grande Dourados (UFGD) e Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/Aquidauana) são convidados a participar da reunião na qual serão apresentados ao programa, seus objetivos, ações e equipe. A partir de então eles já sabem que tem um espaço exclusivo na academia e podem expor suas dificuldades que o Rede de Saberes dá conta de encontrar uma solução. A prioridade é manter o aluno na universidade.

ESPORTE

Segundo o colaborador da equipe do Rede de Saberes da UEMS, Dr. Rogério Ferreira o programa incentivou a formação de uma equipe de futebol com 20 universitários indígenas, objetivando promover a integração entre eles e dar maior visibilidade a estes estudantes na sociedade. “Enfrentar a distância da família e aprender a conviver com as diferenças culturais são dois fatores que marcam a vida dos estudantes indígenas que precisam mudar de suas cidades para estudar. Para minimizar a saudade da família e as diferenças culturais uma das estratégias é abrir-se às possibilidades da nova cidade, às novas amizades e convivências diversas”, explicou Rogério que é da etnia Terena. Ele mesmo, um exemplo da superação destas dificuldades. Dentro de dezesseis anos, Rogério formou-se em Agronomia, fez mestrado na área e hoje é pós-doutorado pela Embrapa Agropecuária Oeste.

INFORMÁTICA

No dia 30 de outubro de 2008, o Rede de Saberes realizou, na UCDB o II Seminário de apresentação de trabalhos do curso de capacitação em informática, no qual, com auxílio do programa Power Point, os acadêmicos falaram sobre diversos temas, mostrando parte do que aprenderam. O aprendizado das técnicas de apresentação em público, expressão facial e corporal e postura foi o diferencial do curso, que justificou o sucesso do seminário. Para o acadêmico Osmanyr Bernardo, da etnia Terena, que cursa o 5º semestre de Administração o curso foi extremamente proveitoso. “Quando eu cheguei à universidade não sabia nem ligar um computador. Agora graças ao Rede de Saberes eu já sei o que um acadêmico precisa saber para continuar na universidade”, contou.

FUTURO

O sucesso alcançado pela iniciativa em 2005 foi reconhecido pela Fundação mantenedora que apóia o projeto até 2010. A ideia dos professores é aproximar os acadêmicos das diversas etnias e instruí-los para que, com o fim do programa, eles continuem buscando por políticas públicas que garantam sua permanência na universidade. Para tanto, todos os anos promove seminários que reúne os estudantes e ainda proporciona um encontro entre acadêmicos, lideranças e professores indígenas para discutir caminhos para uma educação indígena de qualidade.

por carol maldonado

veja fotos no site: http://www.rededesa beres.neppi. org/noticias. php?id=336

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