quarta-feira, 28 de março de 2012
Indicaçao para Presidente da FUNAI
A demógrafa Marta do Amaral Azevedo, professora da Unicamp, será a
primeira mulher a presidir a Funai (Fundação Nacional do Índio). Sua
nomeação está prevista para o fim do mês.
Ela substituirá o antropólogo paraense Márcio Meira, que pediu para
sair após um mandato de cinco anos -o mais longo da história do órgão
indigenista.
Meira disse à Folha que decidiu sair após ter sido convidado para
assumir outra função no governo (ele não diz qual, mas afirma que
ficará em Brasília). "Já cumpri minha missão institucional. Completei
um ciclo", afirma o presidente da Funai
Azevedo, próxima do PT, foi escolhida pelo ministro José Eduardo
Cardozo (Justiça) com ajuda do próprio Meira.
Entidades ligadas à política indigenista e organizações indígenas não
foram consultadas sobre a troca, o que motivou uma carta de protesto
na semana passada da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil)
à presidente Dilma Rousseff.
"Não é nada pessoal, mas os índios reivindicaram participar do
processo", disse o assessor político da Apib, Paulino Montejo.
Formada em ciências sociais pela USP, com doutorado em demografia na
Unicamp, Marta Azevedo trabalhou no ISA (Instituto Socioambiental), no
alto rio Negro, com educação e saúde reprodutiva da mulher indígena.
DESAFIOS
A demógrafa assume a Funai num momento em que o Brasil é repreendido
por organismos internacionais pelo que militantes veem como um
atropelo aos direitos indígenas, na construção da hidrelétrica de Belo
Monte.
O governo tem planos de outras hidrelétricas na Amazônia que afetam
terras indígenas, como a de São Manuel, entre Mato Grosso e Pará - um
problema para a próxima presidente resolver.
"O governo tem pouca sensibilidade à questão indígena, e há uma série
de investidas contra os indígenas", diz André Villas-Bôas, antropólogo
do ISA e ex-colaborador de Azevedo.
Ele cita a PEC-215, uma proposta de emenda à Constituição que tira do
Executivo a prerrogativa de demarcar terras indígenas.
"A Marta é uma pessoa digna, mas, se o governo continuar mantendo a
mesma postura, ela pode cair em isolamento", diz Villas-Bôas.
Outro problema é o conflito fundiário nas terras guaranis, em Mato
Grosso do Sul.
Nos últimos dois anos a Funai identificou cerca de 30 terras que
poderiam ser devolvidas a índios, que vivem confinados, mas não
avançou na retirada dos fazendeiros.
A futura presidente conhece a situação de perto: ela estudou os
suicídios dos guaranis confinados nos anos 80.
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