domingo, 29 de abril de 2012

A CARTA DO INY MAHADU COORDENAÇÃO

Washington DC, April 19, 2012 Open Letter from Indigenous Peoples of the Americas We, the indigenous peoples of Brazil are 230 indigenous peoples, 180 distinct languages, and 82 indigenous peoples in voluntary isolation, for a total of 817,000 Indians. We call on the indigenous peoples of the Americas present for the 14th negotiating session on an American Declaration, in Washington, DC, April 18-20, 2012. The Great Charter, violates PEC 215 in article 2 which interferes with the independence and harmony between the three powers. It also violates the Petreas Clauses, in article 60, subheadings I, II and 4. Which prohibit a debate about an amendment that could abolish the structure of the Federal State and the separation of powers. And it could diminish autonomy of the Union, in article 231 which establishes the competence of the demarcation of the union, and it protects those rights. The indigenous peoples of Brazil are currently facing the approval of Constitutional Amendment PEC 215, which would transfer to the Brazilian National Congress competence for the approval of demarcation of indigenous lands as well as conservation areas and Quilombola lands. PEC 215 is a tool of agribusiness, large estate owners, and mining lobbies who are interested in exploitation of lands and who are pushing this proposal without participation of indigenous representatives or related debate to obtain consent. The INy Mahadu Coordenator (IMC) denounces the Brazilian state for failure to apply the UN Declaration on the Rights of Indigenous Peoples, and requests intervention of the UN Expert Mechanism on the Rights of Indigenous Peoples. Additionally, the International Labor Organization Convention 169 recognizes the right to consultation of indigenous peoples, such as article 6.1, which gives affected indigenous peoples the right to consultation through appropriate measures, in particular through their representative institutions, whenever legislative or administrative measures are planned which would directly impact them. The United Nations Conference on Sustainable Development, Rio+20, will bring heads of state of all the continents to discuss the special theme of the green economy. The Articulation of Indigenous Peoples of Brazil (APIB) will host a parallel event with the support of indigenous movements of Latin America, including the Coordinator of Indigenous Organizations of the Amazon Basin (COICA), the Coordinator of Andean Indigenous Organizations (CAOI), and the Indigenous Council of Central America (CICA) as a culminating and decisive demonstration for the protection of indigenous rights in Brazil. The indigenous peoples of Brazil issue this open letter to join forces with indigenous peoples of the Americas to participate in the People’s Summit and the Terra Livre Encampment (ATL) which will take place in Aterro de Flamengo parallel to the official conference of Rio +20. We are greatly concerned regarding the actions of the large estate owners, agribusiness, mining and forestry companies, mega projects, transnational corporations, and of the government itself, which are maneuvering to subvert the rights of indigenous peoples recognized in the Brazilian Constitution and our international human rights instruments such as ILO Convention 169 and the UN Declaration on the Rights of Indigenous Peoples. Additionally, the Inter-American Commission on Human Rights called for cautionary measures to impede the hydroelectric dam of Belo Monte which would generate grave social, environmental and economic impacts for indigenous peoples and local peoples. Domilto Inaruri Karaja Representante Indigena de IMC billkaraja@yahoo.com.br

Beca del “Programa de Acción sobre los Pueblos Indígenas de las Américas”

La Organización de los Estados Americanos, a través de su Departamento de Derecho Internacional, ofrece la Beca del “Programa de Acción sobre los Pueblos Indígenas de las Américas” a jóvenes profesionales indígenas provenientes de los Estados Miembros de la OEA de la región de Mesoamérica. 1) Lugar: Departamento de Derecho Internacional de la Organización de los Estados Americanos. Dirección: 19th & Constitution Ave., N.W., Washington, D.C., Estados Unidos de América. 2) Modalidad: Presencial 3) Plazo para la presentación de candidaturas: 11 de mayo de 2012 4) Duración: Cuatro meses 5) Fechas de inicio y de finalización: 11 de junio – 10 de octubre de 2012 6) Número de Becas: 1 (una) 7) Objetivos: Ofrecer la oportunidad a jóvenes profesionales indígenas provenientes de los Estados Miembros de la OEA de la región de Mesoamérica de conocer el trabajo de la OEA y los mecanismos del sistema interamericano en el área de los derechos de los pueblos indígenas. El Departamento de Derecho Internacional, a través de su “Programa de Acción sobre los Pueblos Indígenas de las Américas” coordina e impulsa la acción de la OEA en el área de los derechos de los pueblos indígenas. 8) Descripción de tareas: Apoyar el trabajo del Departamento de Derecho Internacional de la OEA en el área de los pueblos indígenas. Para información adicional sobre la Beca del “Programa de Acción sobre los Pueblos Indígenas de las Américas” por favor dirigirse al siguiente documento o al sitio Web: http://www.oas.org/dil/esp/indigenas_becas.htm Favor dirigirse al siguiente enlace para enviar su candidatura: http://www.oas.org/surveys/TakeSurvey.aspx?SurveyID=llLI364 Para más información sobre Pueblos Indígenas, por favor visite nuestra página Web »

Ambientalistas querem veto ao Código Florestal e prevêem embate na Rio+20

A aprovação do novo Código Florestal pela Câmara dos Deputados foi muito mal recebida por algumas das principais organizações ambientalistas e movimentos sociais que estão à frente da preparação da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20 que acontecerá entre 15 e 23 de junho no Rio de Janeiro. Segundo as lideranças, toda a pressão a partir de agora será para que a presidente Dilma Rousseff vete o Código ou, ao menos, suas partes consideradas mais nocivas pelos ambientalistas. Se o veto presidencial não acontecer, advertem, o Brasil perderá seu papel de vanguarda nas discussões ambientais e terá que conviver com críticas e protestos durante a Cúpula dos Povos e também no evento oficial da Rio+20. Para Luiz Zarref, que é dirigente do MST e da Via Campesina, “será gigantesca” a repercussão internacional da decisão tomada na quarta-feira (25) pelos deputados brasileiros: “A reação será grande quando souberem que, a partir de agora, os rios acima de dez metros não precisarão mais ter Áreas de Preservação Permanente (APPs) em suas margens. Nos rios abaixo de dez metros, a faixa de proteção será de 15 metros, mas antes era 30 metros. Para os rios maiores, que precisavam de até 500 metros de floresta, agora não precisa mais nada. Isso é um crime histórico contra o meio-ambiente mundial e um retrocesso na legislação ambiental brasileira. Não tem condição de a presidenta Dilma aceitar um texto desses, e ela mesma já disse várias vezes que não aceitaria”, diz. Para Renato Cunha, que é coordenador da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), “o governo brasileiro fica muito mal” após a aprovação do novo Código Florestal: “O governo nunca assumiu seu papel para dizer que tipo de Código Florestal o Brasil de fato precisa. Se fosse para mudar algumas coisas, o Código teria que mudar para conservar melhor as florestas brasileiras. Mas, na verdade, o que está sendo discutido é a flexibilização da proteção das florestas a partir da diminuição da proteção. Trata-se muito mais de um código agrícola para administrar o agronegócio e favorecer determinadas ocupações de territórios. O que o Brasil mais precisa é de uma legislação melhor que garanta a proteção de nossas florestas, mas a aprovação do Código está na contramão disso”. Coordenador do Comitê de Florestas do Instituto Terra Azul e membro da coordenação do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente (FBOMS), Pedro Ivo Batista lamenta a decisão dos deputados: “O grande problema do novo Código Florestal, além de tudo o que ele representa de retrocesso e de destruição da legislação ambiental, é que vão transformá-lo em um código de ruralistas. Isso é muito grave”, diz. Leia o texto na íntegra: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/2012/04/ambientalistas-querem-veto-ao-codigo-florestal-e-preveem-embate-na-rio-20 PARA MAIS INFORMAÇÕES: Luiz Zarref - (61) 9558-2315 Pedro Ivo Batista - (61) 9699-2895

Congresso Virtual Internacional Rio+20 ganha força nas Redes Sociais

Evento virtual conta com participação de seguidores do Facebook e Twitter que potencializam o debate Já virou rotina internautas do mundo todo que atualizam seus perfis no Facebook e Twitter dizerem e defenderam o que pensam de forma virtual. Não tem sido diferente com a participação dos inscritos no Congresso Virtual: Economia Verde e Economia Socioprodutiva: o papel da agricultura familiar, evento realizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário do Brasil (MDA) também ganhou força em suas páginas nas redes sociais. Javier Humberto Correa, um colombiano, assíduo nos debates do Fórum, deixou sua sugestão sobre os debates, na página do Congresso no Facebook. “Quero parabenizá-los pela qualidade e conteúdo dos temas, também dos excelentes expositores”, afirmou. E apontou suas expectativas quanto aos resultados do evento virtual. “Espero como todos os demais participantes, que deste Congresso saiam ideias valiosas para a aplicação e desenvolvimento das Políticas Públicas e que verdadeiramente se convertam em ferramentas que se apliquem e utilizem e tomara tenha um impacto bastante positivo nas nossas comunidades tanto na proteção do meio ambiente como na qualidade de vida do homem do campo latinoamericano. O jovem Javier é Administrador de Empresas com especialização em gerência de Qualidade e Ambiental para ele o tema do Congresso chama atenção “especialmente para associatividade e produtividade com comunidades rurais”. “O Congresso abriu um grande horizonte de reflexões para a formulação do papel da agricultura no desenvolvimento do planeta, acredito que nosso hemisfério terá papel importante na alimentação do mundo”, ressaltou Javier. Para quem ainda não está participando do Congresso, o mesmo seguirá até dia 30 de abril, segunda-feira próxima, inscreva-se e contribua para o debate sobre Produção e Consumo Sustentável (aqui) Outras informações sobre o Congresso, aqui. Siga o Congresso nas Redes Sociais Facebook: Congresso Rio Vinte Twitter: @CongressoRio20

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Convocatoria a la organizacion indigenas de los Pueblos Indigenas de las Américas

Nosotros, los pueblos y naciones indígenas de Brasil, que somos 230 pueblos indígenas, 180 lenguas distintas, 82 pueblos en aislamiento, en total de 817 mil indígenas. Convocamos la organizacion de los pueblos indígenas de las Américas que se encuentran en la decimocuarta reunión de negociones para la búsqueda de consensus para la Declaración Americana sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas en Washington D.C, Estados Unidos, entre el 18 a 20 de abril de 2012. La Carta de Magna, violar o PEC 215 no articulo 2 que pretencion interferir na independencia e ormania entre os tres poderes. E tambien viola as Clausulas Petreas, no articulo 60 nos incisos i y II, & 4. Que veda a deliberacion sobre enmienda tendiente a abolir la forma Federativa del Estado y a sepraracion de los poderes. E que pretender subtrair la autonomia da Union, no articulo 231 que establece la competencia da union dermarca –las y projeter –las estos derechos. Los pueblos indígenas de Brasil actualmente enfrentan la aprobación del proyecto de enmienda a la constitución – PEC 215, que transfiere al Congreso Nacional Brasileño la competencia de aprobar la demarcación de tierras indígenas, también las unidades de conservación y tierras Quilombolas. PEC es una herramienta de agroindustria, dueños de estado grandes, y vestíbulos mineros interesados en la explotación de las tierras. Están elaborando este proyecto sin la participación de los representantes indígenas en el debate sobre estos asuntos para obtener el consentimiento. La Iny Coordinacion Mahadu (IMC) denunciou al Estado Brasileño por no aplicar la Declaración de las Naciones Unidas sobre Derechos dos Pueblos Indígenas y solicita la intervención del Mecanismo de Expertos en Derechos de Los Pueblos Indigenas de la ONU. Adicionalmente, la Convención 169 de la Organización Internacional de Trabajo (OIT) reconoce el derecho a la consulta de los pueblos indígenas, por ejemplo el artículo 6.1, dice que, a Consultar los pueblos indígenas mediante procedimientos apropiados y, particularmente, a través de sus instituciones representativas, cada vez que medidas legislativas o administrativas sean planeadas y los afectaría directamente. La Conferencia de las Naciones Unidas sobre el Desarrollo Sostenible, Rio+20, traerá a los jefes de Estado de todos los continentes para hablar del tema especial, la economía verde. La Articulación del los Pueblos Indigenas de Brasil – APIB realizara un evento paralelo con el apoyo del movimiento indígenas de las Américas a través de la Coordinadora de las Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica (COICA), Coordinadora Andina de Organizaciones Indigenas (CAIOI) y el Consejo Indígena de América Central (CIC) como una culminación y demostración decisiva para la protección de los derechos indígenas en Brasil. Los pueblos indígenas de Brasil convocan esta carta abierta para afiliarse con los pueblos indígenas de las Américas para participar en la Cúpula de los Pueblos y Campamento Tierra Libre (ATL) que acontecerá en Aterro del Flamengo paralela la Conferencia Oficial, Rio +20. Estamos enormemente preocupados en cuanto a las acciones de los dueños de estado grandes, agroindustria, industrias extractivitas, compañías de madereras, mega proyectos y, corporaciones transnacionales y el Gobierno los cuales están manipulando para derribar los derechos de pueblos indígenas reconocidos en la Constitución Brasileña y en instrumentos internacionales sobre derechos humanos, como Convencion 169 del OIT y la Declaración de la ONU sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas. También, la Comisión Interamericana de Derechos Humanos pedio acciones de medida cautelar para impedir el Proyecto Hidroeléctrica de Belo Monte que gera grande impacto sociales, ambientales e económicos de los pueblos indígenas y pueblos locales. Hoy es Dia de Indio no Brasil 19 de abril Domilto Inaruri Karaja Representante Indigena de lo Pueblo Karaja billkaraja@yahoo.com.br 63-84519829

juventude já prepara sua participação na Cúpula

A Nos dias 20, 21 e 22 de abril acontecerá na UFRJ o Enlace das Juventudes, encontro internacional que tem o objetivo de organizar a mobilização para a Cúpula dos Povos e qualificar o processo de participação política das redes, organizações e grupos representativos das juventudes no evento global que reunirá dezenas de milhares de pessoas no Aterro do Flamengo entre os dias 15 e 23 de junho. O Enlace das Juventudes está sendo convocado por algumas das principais entidades que integram o Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (REJUMA), o Fórum Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis (FONAJUVES) a Organização Continental Latinoamericana e Caribeña de Estudiantes (OCLAE) e o Empowering Youth in a European Society (EYES), entre outras. Durante o Enlace das Juventudes, ocorrerá a definição do planejamento do Acampamento da Juventude na Cúpula dos Povos, que será um território colaborativo e compartilhado pelos jovens. O encontro nasceu como parte de um processo originado no Fórum Social Temático (Porto Alegre, Brasil, 2012). Várias atividades do GT de Juventudes do Fórum convergiram para o processo “Olhares das Juventudes para Rio+20”, com a ampliação significativa das redes, organizações e movimentos de juventudes e o encaminhamento de propostas para a Cúpula dos Povos. Para mais informações: www.cupuladospovos.org.br

terça-feira, 17 de abril de 2012

Dia da Terra terá diálogos abertos sobre a Cúpula dos Povos no Aterro do Flamengo

Para marcar a passagem do Dia da Terra, a ser comemorado no próximo domingo (22 de abril), o Grupo de Trabalho do Rio de Janeiro (GT Rio) de mobilização para a Cúpula dos Povos estará no Aterro do Flamengo, das 15h às 18h, para desenvolver rodas de diálogo (Diálogos Sociais) com quem quiser participar e conhecer mais sobre o evento que reunirá dezenas de milhares de pessoas entre os dias 15 e 23 de junho. A atividade é uma parceria com a campanha Rio+Você, ação de conscientização sobre o desenvolvimento sustentável, elaborada por coletivos de jovens, que divulga os conceitos que estarão em pauta na Cúpula dos Povos e na Rio+20. As perguntas feitas ao longo dos diálogos serão escritas e penduradas em varais. O ponto de encontro do GT Rio no Aterro será na altura do Hotel Novo Mundo, na direção da Rua Silveira Martins, no bairro do Catete. Antes, às 10h, ainda como parte do Dia da Terra, está programada uma Marcha pelo Meio Ambiente na Praia de Copacabana, em protesto contra a proposta de alteração do Código Florestal e a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O ato está sendo promovido pelo Comitê Fluminense pelas Florestas e pelo Greenpeace, entre outras entidades. A marcha sairá da praia, no ponto em frente ao Copacabana Palace, e seguirá até o Forte de Copacabana. O Dia da Terra é uma ação mundial criada em 1970, nos EUA, que se espalhou para diferentes países. Mais informações: Comunicação do GT Rio da Cúpula dos Povos Bibiana Maia: (21) 9276-0331 Encontro estadual prepara Território das Mulheres na Cúpula dos Povos No último sábado de abril (28/04), acontecerá no Rio de Janeiro o Encontro Estadual de Mulheres Rumo à Rio+20, que pretende discutir a pauta da conferência oficial da ONU e organizar a participação feminina na Cúpula dos Povos, evento paralelo que acontecerá entre os dias 15 e 23 de junho. Uma das propostas é construir durante a Cúpula dos Povos o Território Global das Mulheres, repetindo o sucesso do Planeta Fêmea, criado há vinte anos na Rio-92. Organizam o encontro preparatório várias entidades: Articulação de Mulheres Brasileiras, Fórum Estadual de Mulheres Negras RJ, Criola-Organização de Mulheres Negras, Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh), Rede Cooperativa de Mulheres Empreendedoras, Movimento de Mulheres-Cabo Frio e Instituto Equit. O Encontro vai das 9h às 18h, na Escola Municipal Calouste Gulbenkian (rua Prof. Clementino Fraga, Cidade Nova). Inscrições e Mais Informações: territorioglobaldasmulheres@gmail.com

PEC 215 é aprovada; movimento indígena segue mobilizado contra proposta

22/03/2012 Renato Santana de Brasília A primeira batalha de uma guerra ainda longe do fim acabou vencida pela bancada ruralista e evangélica da Câmera Federal. Por 38 votos a dois, foi aprovada na Comissão de Constituição Justiça e Cidadania (CCJ) nesta quarta-feira, 21, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000. A proposta segue agora para Comissão Especial e o movimento indígena segue mobilizado. O objetivo da PEC 215 é levar para o Congresso Nacional a demarcação e homologação de terras indígenas, quilombolas e de áreas de conservação ambiental, que conforme a Constituição Federal é atribuição do Poder Executivo. Durante a sessão da CCJ, o movimento indígena esteve presente e protestou com cânticos, rituais e gritos de guerra. A polícia legislativa entrou em ação e com truculência tentou de todas as formas calar os indígenas, impedindo-os de mostrar a indignação contra a PEC. “Essa proposta afeta a vida dessas pessoas, portanto os indígenas têm todo o direito de protestar”, destacou o deputado Paulo Teixeira (PT/SP). Estavam presentes na sessão indígenas – cerca de 30 - dos povos Xakriabá, de Minas Gerais, Guarani Kaiowá e Terena, de Mato Grosso do Sul, Kaingang, do Rio Grande do Sul, Macuxi, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, de Roraima, além dos povos Marubo, Kanamari, os dois da Terra Indígena Vale do Javari, e Mura, do Amazonas, além dos Kayapó e XiKrin, ambos do Pará. “Essa PEC é movida por interesses econômicos dos ruralistas, que não são melhores e mais eficientes que a vida e costumes desses povos que possuem direitos sobre a terra. Garantir tais direitos é uma questão de soberania nacional”, opinou o deputado Evandro Milhomen (PCdoB/AP). Os deputados aliados da causa indígena e contrários a proposta tentaram de todas as formas, conforme o regimento, postergar a votação por entenderem que além dela ser inconstitucional, a proposta mereceria mais discussão e debate, pois mexeria com a vida dos povos tradicionais e causaria mais instabilidade social e jurídica. “Em verdade, essa PEC deveria ser arquivada. Ela atenta diretamente contra o direito desses povos, que aqui estavam antes da formação do Estado. A proposta é flagrantemente inconstitucional porque invade a competência do executivo”, atacou o deputado Alessandro Molon (PT/RJ), um dos parlamentares mais incisivos contra a PEC. Votação tensa Conforme estratégia, os deputados contra a PEC passaram a apresentar requerimentos pedindo o adiamento da votação. Os ruralistas que fugiam ao controle e iam para o debate eram logo repreendidos por seus pares. A ordem era para não fazer nenhuma discussão, mas pressionar a votação. “Os mesmos que querem alterar o Código Florestal querem aprovar essa PEC e são contra a PEC do Trabalho Escravo. Isso não é coincidência. Trata-se da mesma turma”, alertou o deputado Sarney Filho (PV/MA). O deputado Evandro Milhomen completou: “Os indígenas vão defender e brigar por suas terras e mais sangue será derramado. A responsabilidade será dos deputados”. Tensionada, a sessão chegou ao fim com a bancada ruralista sobre o presidente da CCJ, Ricardo Berzoini (PT/SP), enquanto os indígenas cantavam em protesto. A polícia legislativa agia com truculência e gritavam longe dos microfones. Com o caos instalado, Berzoini arrefeceu e colocou a PEC em votação. “Está se colocando a toque de caixa uma alteração da Constituição que afetará a vida dos indígenas em vista do interesse econômico e imediatista de meia dúzia de ruralistas, que querem a terra desses povos”, enfatizou o deputado Ivan Valente (PSOL/SP). “A CCJ cometeu um gravíssimo erro. Essa proposta viola duas cláusulas pétreas da Constituição, que é a separação de poderes, já que haverá uma usurpação de prerrogativa do Executivo pelo Legislativo, e também viola direitos e garantias fundamentais dos índios”, defendeu o deputado Molon. Confronto A vitória foi comemorada de forma efusiva pelos ruralistas. No entanto, os indígenas não esmoreceram e decidiram seguir para protesto e rituais no Salão Verde da Câmara Federal. Mais uma vez a polícia legislativa entrou em ação e tentou impedir a passagem dos indígenas. Houve confronto e um dos policiais sacou a pistola de choque, mas logo foi denunciado pelos indígenas. Os deputados Amaury Ribeiro (PT/BA), Domingos Dutra (PT/MA), Padre Ton (PT/RO) e Alessandro Molon (PT/RJ) intervieram e junto aos policiais negociaram a passagem dos indígenas. “Com certeza os indígenas vão passar, ninguém pode impedir”, disse o deputado Amaury ao chefe da operação policial – que mobilizou cerca de 30 homens. Ainda assim eles não queriam permitir e apenas depois de ligações para a mesa diretora da Câmara Federal é que os policiais deram passagem. Em manifestação, os indígenas percorrem o interior do Congresso Nacional até o Salão Verde com os deputados fazendo uma corrente na frente. Mais mobilizações “Se estamos em 30 hoje chegaremos a 300. Podem nos esperar, porque a guerra apenas está no começo”, gritou um indígena Xakriabá na direção da bancada ruralista. Um dos policiais revidou dizendo que era provocação. “Eu não estou aqui porque quero. Quem me provocou a estar aqui foram eles (ruralistas)”, respondeu. Durante esses dias de mobilizações para combater a PEC, os indígenas ouviram de tudo. “Eles não são índios, mas negros. Índio tem o cabelo liso”, disse uma assessora parlamentar da bancada ruralista para a colega da Confederação Nacional da Agricultura e Agropecuária (CNA), sem se importar com quem estava ao seu lado. Apesar da derrota, o movimento indígena promete realizar mais mobilizações por todo o país, sobretudo nas aldeias. “Esse é um crime para nós. Sofremos e vamos sofrer mais com essa PEC. Volto para Roraima para mobilizar o meu povo”, disse a liderança Jeci Makuxi, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, de Roraima. “Se com a Funai (Fundação Nacional do Índio) já está ruim, imagina com deputado que não entende nada de índio e está cheio de interesses. Somos contra por isso”, disse Apuiu Mama Kayapó, do Pará. “Deputado fazendeiro não vai votar pelo índio. Isso não está direito. Vamos fazer manifesto grande. O governo já não respeitou com Belo Monte e agora nada fez contra essa PEC. Vamos ter é que trazer os guerreiros”, concluiu.

Convenção 169 da OIT e PEC 215 mobilizam acampamento indígena na Cúpula dos Povos

Cerca de 1,2 mil indígenas de diferentes regiões do Brasil e outros 500 vindos de países da América Latina irão se reunir no Acampamento Terra Livre – ATL 2012 durante a Cúpula dos Povos (15 a 23 de junho) no Rio de Janeiro. Um dos pontos prioritários da pauta do ATL 2012 é a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo a qual o governo precisa obter o consentimento prévio, livre e informado dos povos indígenas, antes de tomar medidas que os afetem: “Como, por exemplo, a construção de hidrelétricas, estradas ou ferrovias em áreas que impactem nossas terras”, explica Sonia Guajajara, representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) no Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos e integrante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Segundo ela, embora o Brasil seja signatário da Convenção, o governo não definiu até agora procedimentos satisfatórios para as consultas prévias, que têm sido feitas sem representatividade e sem o suficiente esclarecimento dos povos acerca dos projetos. No que poderia ser uma tentativa de isolamento do movimento, a liderança da Apib conta que a Secretaria Geral da Presidência da República e a OIT estão convidando entidades indígenas para negociar separadamente esses processos de anuência. A própria Coiab, diz Sonia, foi chamada a discutir o tema no próximo dia 18, em Brasília: “Ainda estamos avaliando se vamos aceitar”, diz. Em chamamento feito aos povos indígenas, a Apib afirma que “o Acampamento Terra Livre e a Cúpula dos Povos devem ser espaços autônomos onde serão discutidos a situação dos direitos indígenas e problemas com os quais se defrontam a humanidade e o planeta em decorrência do modelo de desenvolvimento predador, preocupado com o lucro e consumo exacerbado”. A convergência de vários povos no mesmo espaço, além da presença de observadores e da mídia internacional, poderá, na opinião de Sonia, aumentar a pressão sobre o governo nas questões que envolvem a defesa dos territórios indígenas. Entre as obras e empreendimentos que invadem essas áreas, a Apib cita as hidrelétricas de Belo Monte, Santo Antonio, Jirau e Teles Pires, a Transposição do São Francisco, o agronegócio no Centro-Oeste, as Pequenas Centrais Hidrelétricas no Sul do país, o Projeto TIPNIS na Bolívia, e o Plano Puebla-Panamá, entre outros. Outro alvo das mobilizações indígenas, destaca Sonia, é a Proposta de Emenda Constitucional 215 (PEC 215), que transfere ao Congresso o poder de demarcar terras indígenas, quilombolas e áreas de conservação. Atualmente, esta é uma exclusividade do Executivo. A PEC 215 já obteve parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, segundo a dirigente da Apib, ameaça expor essas decisões aos interesses da bancada do agronegócio durante sua votação na Câmara. O mês de abril, segundo Sonia, deve marcar uma série de protestos regionais e em Brasília contra a medida. Também estarão na pauta do ATL 2012 a violência contra indígenas, que, de acordo com a Apib, “têm sido criminalizados, perseguidos, ameaçados, detidos arbitrariamente, assassinados inclusive, com inquéritos não concluídos e processos sequer abertos, permitindo que a impunidade se torne rotineira em detrimento da integridade física, psicológica e cultural das comunidades indígenas, como acontece principalmente nos estados de Mato Grosso do Sul, Bahia e Pernambuco”. No ano de 2010, informa a entidade com base em dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), foram assassinadas 63 lideranças, a maioria no Mato Grosso do Sul. “O ATL e a Cúpula dos Povos serão ainda uma oportunidade para, junto com aliados e parceiros, avaliar as lacunas, efetividade e cumprimento dos tratados e convenções assinadas durante os últimos vinte anos, assim como resgatar os acúmulos produzidos pelas organizações sociais neste período, pressionando os governos para que estas pautas sejam acolhidas no processo oficial”, diz o documento da Apib. A Apib representa as entidades APOINME, ARPINSUL, ARPINSUDESTE, ARPINPAN, ATY GUASÚ e COIAB, na realização do Acampamento Terra Livre – ATL 2012, em aliança com o movimento indígena da América Latina, por meio da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), da Coordenação Andina de Organizações Indígenas (Caoi) e do Conselho Indígena da América Central (Cica), assim como de outras partes do mundo. PARA MAIS INFORMAÇÕES: Sonia Guajajara – (92) 8143-7244 Assessoria de Imprensa Apib - Gustavo Macedo – (61) 8161-2500

quinta-feira, 12 de abril de 2012

De volta ao Aterro do Flamengo - Cúpula dos Povos na Rio+20 atualiza lutas do Fórum Global de 92

Artigo de Fátima Mello Núcleo Justiça Ambiental e Direitos, FASE Junho de 1992, junho de 2012. Na reta final de preparação para a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental na Rio+20 os que já têm uma certa idade começam a se emocionar com as lembranças do Fórum Global de 92. Voltaremos ao Aterro do Flamengo, palco que há vinte anos encenou um dos mais importantes momentos de constituição das lutas globais que atravessaram os anos 90, articulando as lutas socioambientais e as mobilizações contra o neoliberalismo que dominou a década e que encontrou o fim do ‘fim da História’ na inauguração do novo milênio, nas manifestações de Seattle em 1999 e no Fórum Social Mundial de 2001. O Fórum Global de 92 plantou sementes férteis, nos abasteceu de esperanças e coragem para lutar. Quebramos a hegemonia do neoliberalismo, derrotamos a ALCA, paralisamos a OMC e conquistamos um novo ciclo político na América Latina, com tudo de bom e de esgotamento que nossas análises possam apontar. Voltar ao Aterro vinte anos depois nos reaviva a memória de um percurso rico de mobilizações, desafios, conquistas e de um necessário balanço. Onde estamos agora? Em que ponto da trajetória de lutas nos encontramos? Como a Cúpula dos Povos se insere nesta trajetória? Quais as diferenças e semelhanças em relação ao contexto de vinte anos atrás? Em 1992, recém saídos da queda do Muro de Berlim, o Fórum Global gerou, a partir do trabalho em 45 tendas, um conjunto de Tratados das ONGs e Movimentos Sociais que organizaram uma rica plataforma de lutas que expressava um ambiente de unidade na resistência ao neoliberalismo. Um exemplo foi o Planeta Fêmea, que somou suas ações por direitos sexuais e reprodutivos, dirigidas à afirmação do direito ao próprio corpo e vivência da sexualidade, a uma luta contra as políticas de controle da natalidade e o ambientalismo neomalthusiano que reinava na época, e que atribuía ao nascimento de pessoas em situação de pobreza os males ambientais do planeta, articulando-se assim às lutas socioambientais que questionavam o modelo de desenvolvimento em curso. Algo similar ocorreu com muitos outros movimentos, que no Fórum Global foram convocados a somarem suas agendas específicas a uma convergência e uma síntese mais amplas. Agora, a Cúpula dos Povos se realizará sob o signo da mais profunda crise capitalista desde 1929, estando o sistema internacional desde 2008 ameaçado por uma iminente quebra no funcionamento das bases de sua sustentação e refém de um sistema financeiro que passou a dominar não apenas o mundo da produção mas também a política. Enquanto em 1992 a hegemonia dos EUA encontrava-se no auge, hoje o sistema internacional encontra-se em uma profunda crise de hegemonia e em disputa por uma nova correlação de forças. As instituições multilaterais que sustentaram a hegemonia norte-americana encontram-se também em crise e nunca a necessidade de se dar um fim ao sistema de Bretton Woods esteve tão clara. LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA: http://cupuladospovos.org.br/2012/04/a-cupula-dos-povos-e-as-lutas-do-forum-global-de-1992/

OAB quer discutir retrocesso ambiental do Brasil na

Para o presidente da Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro, Flávio Ahmed, o Brasil vive um momento de retrocesso nos aspectos jurídicos de gestão do meio ambiente que deve ser combatido nos debates a serem realizados na Cúpula dos Povos, evento que acontece de 15 a 23 de junho, no Aterro do Flamengo. Dois exemplos, segundo ele, são as alterações inseridas no Código Florestal e a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara da PEC 215, que obriga o Executivo a submeter ao Congresso propostas de demarcação de terras. "É impressionante que tenhamos chegado a esse ponto, de haver espaço político para fazer tramitar projetos como esses", critica. “Estamos discutindo no Brasil a flexibilização da legislação ambiental com uma naturalidade que não se pode admitir. A questão energética vem sendo tratada por meio de modelos como o da usina hidrelétrica de Belo Monte, com ofensas às populações indígenas que se traduzem em violações dos direitos humanos, quando deveríamos primar por projetos baseados em fontes alternativas. Com esse ponto de vista, vamos brigar por certas coisas”, afirma Ahmed. Durante a Cúpula dos Povos, as comissões de Direito Ambiental e de Direitos Humanos da OAB-RJ querem mobilizar a sociedade civil em discussões públicas sobre temas que, na avaliação de seus integrantes, estão sendo menosprezados na Rio+20, embora sejam prioritárias para o País. Assuntos como moradia, saneamento, mudança climática, formas de proteção das populações tradicionais, instrumentos jurídicos de gestão territorial, entre outros, farão parte da programação a ser definida pelas comissões ao longo desta semana. Para Carlos Henrique Painel, do Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos, a presença das comissões da OAB- RJ, além de relevância política, significa o apoio logístico da entidade para a realização de debates durante o evento e também suporte jurídico: “As comissões já fazem parte do Grupo de Trabalho do Rio e vão articular encontros e discussões no auditório da OAB, no centro da cidade, próximo à realização da Cúpula, no Aterro do Flamengo”. Na avaliação de Ahmed, a pauta da Rio+20 tem dedicado uma “ênfase exagerada” à chamada economia verde: “Se entendemos, de um lado, que é importante valorar serviços ambientais, a economia verde não pode servir para a monetarização desses serviços, que não têm preço e representam um valor inestimável para a sociedade”, afirma o advogado, que também integra a Comissão de Direito Ambiental do Conselho Federal da OAB. Outra preocupação que une as comissões da OAB e Cúpula dos Povos, segundo Ahmed, “envolve a governança internacional dos recursos ambientais do planeta”. Para a entidade, o Brasil, com 23% da biodiversidade do mundo, um dos maiores acervos globais, não pode permitir que suas riquezas sejam apropriadas: “Mecanismos internacionais a nível da ONU ou de outras instâncias precisam passar por uma representação elevada de um país que tenha acervo maior”, diz o advogado. Nesse sentido, ele destaca a urgência de se buscar um marco legal que regulamente de forma eficaz a Convenção da Biodiversidade, transformada em lei federal: “Trata-se de uma lei muito importante. Mas, a gente se ressente de um marco para tratar a diversidade, para permitir a coexistência da pesquisa científica com o desenvolvimento”. A Comissão de Direito Ambiental da OAB- RJ identifica na Cúpula dos Povos o principal fórum da sociedade civil para questões que precisam ser levadas a uma reunião internacional, tendo em vista as necessidades ambientais do Brasil: “A Cúpula se articula, como na Eco 92, como a grande instância da sociedade civil, que estabelece de forma crítica as questões ambientais. Isso nos aproxima, porque a Comissão faz parte de uma entidade de classe, e o advogado tem uma clara função social, de operador da realização da Justiça”. PARA MAIS INFORMAÇÕES: Flávio Ahmed - (21) 2509.7072 Carlos Henrique Painel - (21) 9621-4000