segunda-feira, 16 de março de 2009

Medicina e a luta da burguesia autofágica

Tenho observado os últimos debates protagonizados pelos estudantes da Universidade Federal do Tocantins a respeito da matrícula ex ofício de aluno de universidade particular do RJ para a UFT no curso de medicina, determinada pela sentença do Juiz Federal Adelmar (ex aluno da mesma instituição) com base na lei 8112/90 e jurisprudência consolidada no STF.

O perfil dos estudantes da UFT mudou. O fenômeno de ocupação das vagas nas instituições públicas pelas elites brasileiras chegou e junto a ele temos a total repugnância aos movimentos sociais como movimento estudantil, MST, luta pela moradia, e tantos outros movimentos de vanguarda que construíram a universidade brasileira como local privilegiado para o desenvolvimento de projetos democráticos e inclusivos para a população. O movimento estudantil atual da UFT encontra-se em crise de identidade, se volta contra os seus pares, numa atitude autofágica compra uma briga elitista sobre a discussão do mérito do vestibular, quando deveria está contra, e se esquece de seu importante papel social.

Houve tempos que estudantes da UFT lutavam para tornar gratuito o acesso ao ensino público como o movimento pela federalização, houve tempo que estudantes cientes do movimento popular de massas de que faziam parte iam as ruas para protestar contra aumento de tarifas dos ônibus e lutavam pela linha BASA-UFT, fechando o portão para os ônibus não saírem da universidade e com isso serem ouvidos após falta de ônibus em palmas, colocavam nariz de palhaço pela negociação frustrada na ATTM, lutavam por mais verbas destinadas à alfabetização em assentamentos, saiam em passeata para proteger o cantão da especulação privada, se preocupavam com a permanecia do estudante na universidade e lutavam tanto pelos “R.U´s”; se preocupavam com a iluminação do campus, guardavam independência no seu trato com a reitoria inclusive denunciando suas práticas políticas clientelistas, fisiológicas e de aplicação da lei somente aos inimigos, lutavam pela estatuinte, que está sendo discutida somente pela reitoria, e dentre tantas outras bandeiras de lutas a 70 anos debatidas pela UNE.

Hoje o que se vê é um movimento elitista (movimento como um todo não estou fazendo crítica somente a DCEs e CAs que não se coloca a frente das causas realmente importantes da universidade e da sociedade), sem leitura política dos eventos que estão ocorrendo. Nunca vi ME ser guiado por pró reitoria estudantil - desde quando o movimento necessita de pro reitoria para execução de suas pautas?! - necessitamos de independência já! A luta egoísta da medicina foi encampada por todos os cursos (que têm vários problemas e nunca receberam a ajuda de nenhum estudante sequer da medicina), entretanto será que a medicina se envolveria em manifestos pela moralidade pública sobre os casos de ingerência política que ocorre diariamente na UFT seja para conservar professores sangue-sugas, seja para direcionar licitações, seja para abafar rombos orçamentários, seja para fugir do TCU, seja para transferências no curso de pedagogia, direito, computação e todos os outros, seja para justificar a falta de estrutura dos outros cursos da UFT em comparação aos dos nossos amigos médicos, justificar também igualdade na distribuição de verba entre os cursos (a reitoria vê somente a medicina como a menina dos olhos) a luta da medicina parece nobre mas é causa que olha pro próprio umbigo, pequenos burgueses que brigam entre si. Esses acontecimentos devem servir para unir o movimento em torno de causas mais elevadas, transferência ex oficio com fim de trazer seu filho pra perto de si diariamente nesse Brasil porque é lei (seja ela moral ou imoral) deve ser mudada a lei. Não se sabe é porque o professor Alan, que sempre teve a procuradora como braço direito, solicitou a AGU que requisitasse a mesma por interesse público e agora tenta se descolar da imagem da mesma, parece que mais uma vez a reitoria armou e caiu na propria armadilha e agora tenta sair mais uma vez de bonzinho na historia agora até o sindicato dos professores resolvem ser manipulados. O reitor deve ter muita coisa pendente para em desespero solicitar a procuradora de volta.

Enfim não quero ser advogado do diabo mas as lutas para a classe que a desempenha sempre é justa mais ela não pode ser burra o alvo não é estudante o alvo é a estrutura galera(alan e sua trupe) !!!!

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