Quem é aquele que se diz civilizado.
Que criou o antídoto, que elimina a vida.
Que destrói o mundo num toque de dedo.
Que se engrandece porque detém a morte.
Que envenena a terra, a água e o ar que geram a vida.
Que sufocou sabedorias milenares.
Que massacrou as verdadeiras civilizações.
Que hoje parece estar arrependido.Que hoje nos quer como quando nos
encontrou.
Que hoje nos discrimina, por não sermos mais como antes.
Que diz: “não parecem mais índios”
E vai procurar em outros lugares,
Onde seu veneno não foi tão forte.
Que fará com nossos parentes agora?
Será que percebeu que estava errado?
Na cosmologia indígena, “civilizado”,
É aquele que estabelece com a natureza
Uma relação de respeito e equilíbrio.
É aquele que retém a “Vida”, não a morte.
É aquele que garante o futuro de quem ama.
Oh! Civilizado.
Profano! Nos julga pela aparência,
Insensível! Que não consegue enxergar a alma.
Me dou ao direito de ter pena de você.
Porque encontraria na minha alma
As marcas do teu veneno,
E as pegadas de como a ele sobreviver.
Andila Inácio Belfort - Kaingáng
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
O Contraditório
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